Arthur Virgílio fala sobre a inversão das posições políticas após impeachment de Dilma



Publicado em 05-05-2016



Durante a discussão e votação da Medida Provisória 704/15, que permite ao governo usar recursos do superavit financeiro de 2014, vinculados a despesas específicas, para cobrir outras despesas primárias obrigatórias de 2015, na noite desta terça-feira (5), o deputado federal Arthur Virgílio Bisneto (PSDB-AM) criticou a postura de parlamentares que mudam de posição, nas discussões e votações na casa, de acordo com a conveniência política. “Engraçado notar que, a partir da aprovação da admissibilidade do impeachment na Câmara, houve uma inversão nas discussões das matérias da casa. Alguns, que até pouco tempo, eram contrários aos aumentos de salários da AGU e do Judiciário nacional, por exemplo, passaram oportunamente a lançar para o futuro presidente a responsabilidade do não aumento imediato dessas carreiras”, disse, acrescentando que ele ouviu discursos de líderes ainda do governo e de partidos que compõem a base, favoráveis aos membros da AGU. “Eu fico estarrecido com a diferença de comportamento.  Quer dizer, quando se trata do governo dele, aumentos da AGU, por exemplo, são levados por inimigos.  De repente, eles mudam de posição de acordo com a conveniência política e passam a aprovar pautas que até outro dia chamavam de pautas bombas”, criticou. Bisneto também falou sobre o impeachment de Dilma e a possível saída dela daqui a uma semana. “É visível que o país e esta casa estejam passando por um momento de transição já está certo. Consumado que até então a presidente Dilma, a partir de mais uma semana, provavelmente, será afastada. Não será mais presidente da República pelo menos pelo período de 180 dias (...). É triste a falta pelo qual este governo está saindo do poder. Um governo que soube aproveitar as benesses econômicas que foram deixados por Fernando Henrique Cardoso e termina com seu ex-presidente e sua ainda presidente praticamente réu e ré de processos no Superior Tribunal Federal.  É de se assustar. É de se entristecer demais com a realidade política pela qual passa o país hoje.  Sem falar na questão econômica de um país atolado em dívidas, de um país com PIB negativo”, declarou Arthur, em discurso na tribuna. Ainda na tribuna, o tucano destacou a denúncia contra Lula. “Eu sou desses que se existe culpado no meu partido, que seja punido. Independente da posição política, que seja deflagrada uma operação mais clara em relação aqueles que são os principais mandantes.  É fácil pegar o aviãozinho que vende droga, o difícil é prender o chefe do tráfico e nós estamos no caminho certo para dar a responsabilidade para aquele que é o principal responsável que é o senhor Luiz Inácio Lula da Silva”, finalizou.